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Comentário à mensagem da Ana

Author: Florbela

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Na minha modesta opinião, a nossa prática de mestrandos tem-nos permitido (nalguns casos apenas reforçado, ou relembrado) o conhecimento de um dos principais postulados sobre o ‘conhecimento’: que somos e seremos simplesmente eternos aprendizes. É um facto que a figura do ‘mestre’ tem-se distribuído por diferentes actores consoante o momento histórico/civilizacional. Na sequência das inovações tecnológicas e da consequente globalização, há mesmo uma mudança de paradigma educacional com o advento do ‘E-Learning’ (muito mais ‘E’de Electronic do que ‘L’ de Learning, mas isso é outra história) e com o deslocamento da centralidade do processo de aprendizagem do ‘mestre’ que antes tinha a função de transmitir o conhecimento de que era detentor, para o ‘aprendiz/aluno e agora, mais que nunca, autodidacta, dada a facilidade de acesso à informação.

O enaltecimento da aprendizagem a partir das práticas no sentido das COP'S de Wenguer, nem sequer me aparece como uma mudança paradigmática, no sentido em que apenas se altera o sentido da relação vertical, para maiores graus de horizontalidade no processo de construção do conhecimento; permanecendo o mesmo princípio básico de aprendizagem baseada no desempenho de tarefas práticas. O que difere é que na actualidade os próprios ‘mestres’ recolhem-se à humildade de eternos aprendizes e ficamos com esse papel (diria esse enorme labor) diluído um pouco por todos nós.

Esta centralidade no aluno pode ofuscar a sua condição de ‘aprendiz’, sendo por vezes causadora de um desalinhamento de expectativas entre os pólos professor/aluno. Noto, até em mim própria, atitudes que por vezes podem ser entendidas como resvalando a falta de respeito e de humildade pela figura do professor (daria um bom objecto de investigação, ir averiguar como é que os alunos e os professores estão a reequacionar os seus papéis, face à mudança de paradigma).

Enquanto aluna, a questão que mais me tem atormentado é: o que esperam de mim? Que implica um trabalho de reajustamento ao novo paradigma, em que sinto a focagem do processo de aprendizagem a incidir muito mais sobre mim própria. E o que mais me desestimula é, precisamente não conseguir percepcionar os contornos mínimos dessas expectativas que sobre mim recaem. Daí a importância enorme de haver feedback informal por parte de quem tem a função de professor, que será muito bom se contribuir para corrigir o rumo e perfeito se também estimular para maiores níveis de trabalho, na direcção dos objectivos daquele processo de aprendizagem específico. Se percepcionado como provocatório, será desastroso.

Sinto, desde o início deste percurso académico, mudanças significativas no delineamento destes contornos, isto é, acho que tem diminuído o desalinhamento de expectativas, e isso parece-me muito positivo.

Tal como muito positivo tem sido, na minha opinião, o trabalho de reflexão que temos vindo a fazer, sobre a contextualização, a globalização, a multidimensionalidade e a complexidade, enquanto princípios básicos para o ‘conhecimento pertinente’ (Edgar Morin:2002 in texto publicado no Ciaris). Porque, ao invés dum pensamento científico mais tradicional, que fragmentava e compartimentava, através da especialização; neste meu mais recente percurso académico, tem-me sido feito um forte apelo para este pensamento científico mais pertinente, na medida em que consegue ir ao encontro das exigências que se colocam ao cidadão do novo milénio, e em especial ao Assistente Social: a exigência de solucionar problemas cada vez mais relacionados, transversais, multidimensionais e globais.

Todos reconhecemos a importância da teoria, e julgo que não é só aparentemente. Todavia ‘a vida não é aprendida somente nas ciências formais…’ (Morin: in texto publicado no Ciaris). Fazendo uma adaptação grosseira duma frase de Holderling (in Morin, ob cit) diria ‘ o homem habita praticamente na terra, mas também teoricamente e se a teoria não existisse, não poderíamos desfrutar do sentido das nossas práticas’.

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